segunda-feira, 9 de setembro de 2013

As nove matrizes do eu Inferior e as distorções dos atributos divinos


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A personalidade pode ser representada por uma mandala: Na camada externa está o ‘eu idealizado’, com suas infinitas máscaras: a vítima, o submisso, o amoroso, o cuidadoso, o agradador, o agressivo, o autosuficiente, o indiferente, o iluminado, o devoto... E, numa camada mais interna, está o que eu denominei de as nove matrizes do eu inferior, que são instrumentos da intencionalidade negativa, ou seja, do seu “não” para a vida. Na camada ainda mais interna ou profunda da mandala está escondida a dor e, por trás dela, estão a as virtudes da alma (contrapartes das nove matrizes). Bem no centro da mandala, na camada mais interna ou profunda, está o Eu Divino.
As matrizes do ‘eu inferior’ são camadas de autodefesa criadas pela entidade como resposta aos choques de exclusão, humilhação, rejeição e abandono que ela viveu durante a sua jornada. Essas defesas podem se manifestar em diferentes graus de egoísmo e destrutividade, que dão sustentação aos pactos de vingança.
Vamos conhecer um pouco sobre cada uma das matrizes:
Gula – Qualquer manifestação de voracidade, o que podemos também chamar de compulsão, pois é incontrolável. Ela não é necessariamente ligada somente à comida, mas à qualquer tipo de compulsão: de comer, de falar, de ler, de fazer sexo, de comprar... Isso inclui os pensamentos compulsivos.
Preguiça – A paralisação diante daquilo que precisa ser feito. O preguiçoso é comumente visto como um vagabundo, ou seja, existe um julgamento moral em relação a ele. Mas, na verdade, ele não é um vagabundo, mas sim um refém de sentimentos congelados e suprimidos no seu sistema. Um “workaholic” pode ser extremamente preguiçoso porque faz muitas coisas, menos o que precisa ser feito. Esse fazer se torna uma fuga.
Avareza – O desejo de acumular coisas. O avarento acumula, mas não divide, ele guarda e quer tudo para si: coisas, dinheiro, mulheres, homens... Essa é uma manifestação do que eu costumo chamar de ‘medo da escassez’. A avareza não se manifesta somente com o dinheiro, mas também pode ser avareza de amor, de sentimento, entre outras coisas.
Inveja – É um desgosto pelo sucesso alheio e uma vontade de destruir o objeto desejado. Ela nasce de um profundo sentimento de impotência e inadequação e pode se manifestar de diversas formas, até mesmo como auto-inveja, ou seja, a inveja de alguma outra parte sua.
Ira – É impulso destrutivo manifestado como violência, Ela pode ter muitos desdobramentos: irritação, impaciência, intolerância, fúria, rancor, vingança... Também se manifesta de forma passiva através da mágoa e da indiferença.
Orgulho – O orgulho se vale de muitas máscaras para manter-se oculto e camuflado. Essas máscaras são as manifestações do próprio orgulho que se manifesta de diversas maneiras: vaidade, vergonha, arrogância, auto-imagem, complexo de inferioridade e superioridade, falsa humildade...
Luxúria – É o uso distorcido da sexualidade, ou seja, é a utilização da energia sexual para obter poder sobre o outro. Pode se manifesta como sedução, ciúme e possessividade.
Medo – O medo se faz presente em todas as matrizes. Ele inclui a dúvida, o ceticismo e todos os tipos de pânico. Ele é o guardião dos sentimentos negados e suprimidos.
Mentira – A mais enganosa das matrizes do eu inferior. Assim como o medo, está presente em todas as outras matrizes. Ela vai desde a mentira descarada (que é dita ao outro para promover a si próprio), até sua manifestação mais sutil que é o autoengano, ou o esquecimento de quem é você.

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Todas as matrizes são produtos da sua identificação com o corpo. Uma das manifestações do corpo é a sua criança ferida. Essa instância do seu psiquismo, esse aspecto da sua personalidade que foi moldado pelo que você aprendeu no mundo e pelos choques de exclusão, de humilhação, abandono e rejeição que você viveu. Então sua mente ficou fixada ali. Você acredita ser essa criança. Em termos mais objetivos, o que é essa criança? É a sua história. Você está fixada na sua história, está encantada com ela. Nesse encantamento, você acredita ser essa criança que precisou criar esses mecanismos de defesa.
(...)
O eu inferior é visto como algo muito pessoal por conta, claro, da identificação com ele próprio. Conforme você vai aprofundando o seu processo de identificação, vai se surpreender com uma coisa: o eu inferior não é sua propriedade; são partículas soltas que estão flutuando no universo e, por conta de determinadas leis, você acabou trazendo para si algumas partículas específicas. Por conta de determinadas leis, você encarnou neste planeta com o propósito cósmico de integrar tais partículas. Mesmo antes de encarnar, o processo de integração já estava determinado, então, trata-se de um propósito cósmico. Estamos falando da alquimia do mal que cada um carrega em si com o propósito de transformá-lo. Cada corpo humano é um casulo de eus psicológicos e o seu trabalho é justamente transformá-los. Das nove matrizes do eu inferior - gula, preguiça, avareza, inveja, ira, orgulho, luxúria, medo, mentira – e todas as distorções dos atributos divinos na forma da máscara – o submisso, o auto-suficiente ou o retraído – embora cada um carregue todas essas manifestações, em cada encarnação sempre tem um personagem principal. Se você transforma o protagonista, transforma a todos.
Mas, é importante que vejamos essas manifestações como complexos autônomos independentes. Embora sejam criados pela mente, eles ganharam autonomia e agem como entidades que tem muito claro o que querem. O que eles querem? Viver, como tudo que é vivo quer viver. Qual é o alimento que mantém a vida de uma manifestação da sombra? As emoções negativas que ela mesma gera. Ela vai fazer de tudo para repetir a cena e gerar as mesmas emoções a fim de continuar viva. Por isso que eu falo que a forma de identificar esses eus é identificar as suas repetições negativas. Todas as repetições negativas têm um eu psicológico no comando. O eu inferior que eu chamo de criança ferida, com seus protestos de onipotência e sua vingança em relação ao mundo, quer repetir o drama, a mesma novela porque vai reviver as emoções.

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